"No te fatigues nunca más de lo necesario/ aunque tengas que fundar una cultura sobre el cansancio de tus huesos." -Antonin Artaud-
lunes, 30 de abril de 2012
martes, 24 de abril de 2012
Tempos sinistros: a esquerda de El Salvador
O que poderia ter sido um período de acumulação de forças transformou-se num período de desilusão generalizada e confusão obscura.
Por Erick Barrera Tomasino
«Dois perigos deve temer o homem novo: a direita quando é destra, a esquerda quando é sinistra», advertia-nos terminantemente o escritor uruguaio Mario Benedetti, como se se tratasse de uma profecia, nestes tempos de indignação desorganizada. Tempos sinistros, em que a direita faz e raramente a esquerda desfaz, pelo contrário, repete-o e reconstrói-o.
Em que momentos ambos os extremos convergem, se entrecruzam, se confundem nas diagonais da política e da ideologia? Estamos à beira da bipolaridade ou de tanto ver, deixar fazer, deixar passar, estamos a tornar-nos viscosos e já não distinguimos um do outro? São estes tempos sem vaivéns, sem norte nem sul, num dos mais pequenos e diminutos países das Américas? Este país que parece um manicómio com duas portas, uma que dá para a Guatemala e a outra para as Honduras, onde a única saída é converter-se num pequeno espaço sócio-comunitário, onde tudo se revolva e se entremeie.
Não há nada, ou quase nada, que passe despercebido. Isto se os grandes meios de entretenimento não distraírem uma população propensa às artes subtis de alcançar sempre, ou quase sempre, os extremos. Por isso não se deve estranhar que num país com aproximadamente seis milhões de habitantes em 21.040 quilómetros quadrados, ou seja, com uma densidade populacional de 290 habitantes por quilómetro quadrado, a esquerda se possa encontrar com a direita e de vez em quando dêem apertos de mão e façam sorrisos.
É demasiada população para não se ficar ao corrente do que se passa em redor ou, precisamente por isso, para fingir que não se vê aquilo que esteja mais longe do que o nariz, tão achatado de pancadas e tropeções que já quase nada interessa nem surpreende. Aqui, onde se dança a cumbia como se fosse original do país [a cumbia é uma dança popular de origem colombiana], tal como sucede nos velhos manuais de DIALMAT [materialismo dialéctico?] a política move montanhas de opinião sem lhes conhecer a origem.
Perante este panorama emaranhado, nos corredores da política, da política de esquerda, as pessoas interrogam-se qual será a opção, se é que existe, para encontrar o caminho da liberdade. Aqueles que caíram com o muro em 89, aqueles que além de depor as armas também depuseram os seus princípios dão imediatamente um tiro na cabeça, e nas cabeças de quem lhes permita, anunciando o fim da esquerda. E confundem as suas mãos e as suas canetas com as canetas e as mãos e os livros de cheques dos que continuam a acreditar na livre empresa.
É que a história recente deste pequeno e desgrenhado paisinho habitua-nos a pensar em partidos para eleições e quando se pensa em partidos de esquerda associamo-los automaticamente à FMLN [Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional]. E aqueles que não querem considerar a FMLN como o partido da esquerda renovam os seus votos de castidade ideológica fundando partidos que concorrem e morrem em cada eleição na disputa pelos votos.
O que resta do velho Lenin quando definia o partido político como a «forma superior de organização», se aqui nem as formas inferiores são bem vistas, por lhes faltar democracia? Como se a democracia se reduzisse a colocar todos na salgalhada da nação, sem diferenças e com palavras pagas ou apagadas consoante o destino que cada um trouxer.
Em que momento aprendemos que se os partidos se constituírem como formas superiores de organização o imaginário colectivo não supera a visão de uma estrutura a partir das suas direcções — e acções — mais visíveis e não a partir da composição orgânica de todos os seus militantes?
Parece quase aterrador, quase apocalíptico, que após as últimas eleições se ouçam várias pessoas decretando o fim da FMLN, como se uma redução no número de votos fosse o sintoma único do enfraquecimento de um partido. Isto numa clara perspectiva linear e positivista da política. Como se a política fosse uma empresa que mede o lucro a partir dos votos e não o avanço na edificação de um projecto político a partir das suas acções.
A culpa é da cúpula, gritam as cúpulas sem base dos caudilhos da esquerda. Contraditoriamente, os sectores que se consideram mais radicais coincidem aqui com as opiniões da burguesia, também radicais, mas ao contrário. Neste último período, estas organizações propuseram-se como objectivo único demonstrar que a FMLN «virou á direita», que não é o mesmo que «endireitada»; que se tornou «neoliberal», admitindo que alguma vez se «liberalizara». Mas que em lado nenhum se discuta — para não dizer se efectue — um combate frontal contra o capitalismo.
Logo anunciam que são a verdadeira esquerda que, atacando a esquerda eleitoralista, falsa esquerda, se apresentarão como intransigente opção… nas próximas eleições. E chama-se à FMLN, partido que muitas vezes sofre de uma surdez programada, partido político eleitoralista, para se distanciarem quando eles mesmos participarem do jogo eleitoral. Que, como eles são verdadeiras refeências de esquerda, deixarão de ser processos eleitoralistas e passarão a ser processos políticos, numa confusão dialéctica.
Desde há uns anos, aquilo que poderia ter sido um período de acumulação de forças transformou-se num período de desilusão generalizada e confusão obscura. As teses de Fukuyama vão e vêm em cada eleição, consoante os resultados que estas revelarem. O que demonstra que em geral existe uma crise «teórica, programática e orgânica» deste leque incompleto das esquerdas de El Salvador.
«Um dos grandes objectivos das negociações de paz entre a FMLN e o então governo de El Salvador para pôr fim à luta armada foi a abertura de um processo de democratização que deixasse para trás as décadas de ditadura, de violações dos direitos humanos e de fraudes eleitorais», disse Schafik Handal no remoto ano de 2004. E que em 2012 parece ser superado pelo entusiasmo burguês da democracia de eleições sem programas nem bases teóricas.
Temos de ser mais participativos, é o que se exige à esquerda em nome da «democracia», para converter os espaços de tomada de decisões numa espécie de ring onde se puxam os cabelos despenteados das ideologias. Que os figurinos dos cabeleireiros de El Salvador mudam de acordo com as modas, pois vivemos num país da América Central que só as vêem passar quando vão do norte para o sul ou inversamente, como as aves de arribação na mudança de época. Senão, que se pergunte ao presidente, que tem um pé em cada hemisfério e o pescoço torcido de tantas voltas que dá.
Esta coisa das esquerdas parece um melodrama. Cada vez que uma comete um erro, as outras afastam-se e acusam-na; mas se houver uma fresta por onde entrar, dançam ao ritmo das alianças tácticas e momentâneas. São movidas pelas conjunturas como um bloco de carnaval. Uma esquerda que se encontra sem se cumprimentar, ainda que faça sorrisos.
A crise também atinge o estado de espírito das esquerdas; por isso, cuidado com as tentativas de criação de um novo partido em plena crise, pois em plena crise nascerá. E em cada eleição estaremos a desarmar-nos por sinistras razões. E — oxalá que não — também menos sinistras e mais destras lutando pelos direitos exclusivos de representação da esquerda no jogo eleitoral.
Originalmente publicado em espanhol em: antes da tempestade e republicado com tradução por PassaPalavra (http://passapalavra.info/?p=56981)
Tradução por Passa Palavra - passapalavra.info
Tiempos Siniestros: la izquierda salvadoreña
Erick Barrera Tomasino
“De dos peligros debe cuidarse el hombre nuevo: De la derecha cuando es diestra, de la izquierda cuando es siniestra” nos advertía tajante el escritor uruguayo Mario Benedetti, como si de una profecía se tratara, en estos tiempos de indignación desorganizada. Tiempos siniestros donde la derecha hace y pocas veces la izquierda lo deshace, sino más bien lo repite o lo reconstruye.
¿En qué momentos confluyen, se entrecruzan, se confunden por los laterales de la política y de la ideología ambos extremos? ¿Estamos al borde de la bipolaridad o de tanto ver, dejar hacer, dejar pasar, nos estamos volviendo viscos que ya no distinguimos una de la otra? ¿Son estos tiempos sin vaivenes, sin nortes y sin sures en uno de los más pequeños y diminutos de los países de las Américas? Este país que parece manicomio con dos puertas, una limitando con Guatemala y la otra con Honduras, donde la única salida es volverse un pequeño espacio sociocomunitario donde todo se revuelca y se entremezcla.
No hay nada, o casi nada, que pase desapercibido. Eso, si los grandes medios de entretenimiento, no distraen a un población avezada en las agudas artes de irse siempre, o casi siempre, a los extremos. Por ello no es de extrañarse, que en un país, de aproximadamente seis millones de habitantes en 21.04 kilómetros; es decir, de una densidad de población de 290 habitantes por kilómetro cuadrado, la izquierda se suela topar con la derecha y de vez en cuando se estrechen la mano y se pelen los dientes.
Demasiada población como para no enterarse lo que sucede alrededor, o precisamente por eso, para desentenderse de lo que pasa más allá de las narices, tan chatas de tanto golpe y tropiezo que ya casi nada interesa o sorprende. Aquí, donde la cumbia se baila como si fuera propia, al igual que los viejos manuales de la DIALMAT, la política mueve montañas de opinión sin saber su origen.
Bajo este enredado panorama, los corredores de la política, de la política de izquierda, se preguntan cual es la opción, si es que la hay, para tomar la senda de la libertad. Quienes se cayeron con el muro en el 89, quienes además de deponer las armas, también depusieron sus principios, inmediatamente se dan un tiro en la cabeza y en las cabezas de quien se deje, anunciando el fin de la izquierda. Y confunden sus manos y sus plumas con las plumas y manos y chequeras de quienes siguen creyendo en la libre empresa.
Es que la historia reciente de este pequeño y despeinado paisito acostumbra a pensar en partidos para elecciones y cuando se piensa en partidos de izquierda se asocie automáticamente con el FMLN. Y quienes no quieren ver al FMLN como el partido de la izquierda renueven sus votos de castidad ideológica fundando partidos que corren y mueren en cada elección por la competencia de los votos.
¿Que quedó del viejo Lenin cuando definía al partido político como la “forma superior de organización” si aquí ni las formas inferiores son bien vistas por carecer de democracia? Como si la democracia se restringiera a meter a todo el mundo a la ensaladera de la nación sin diferencias y con voces pagadas y apagadas dependiendo del destino que cada uno traiga.
¿En qué momento aprendimos que si bien, los partidos se constituyen como formas superiores de organización, el imaginario colectivo no supere la visión de una estructura a partir de sus dirigencias -y diligencias- más visibles y no a partir de la composición orgánica de toda su militancia?
Suena casi aterrador, casi apocalíptico que posterior a las últimas elecciones, se escuchen diversas voces decretando el fin del FMLN, como si una reducción en los votos es el síntoma único del debilitamiento de un partido. Esto bajo una clara visión lineal y positivista de la política. Como si la política fuese una empresa que mide la ganancia a partir de los votos y no el avance en la construcción de un proyecto político a partir de sus acciones.
Es culpa de la cúpula gritan las cúpulas sin base de los adalides de la izquierda. Contradictoriamente, los sectores que se llaman de más radicales, coinciden en este punto con las voces de la burguesía también radicales pero a la inversa. En este último periodo, estas organizaciones han colocado como pauta única, demostrar como el FMLN se ha “derechizado” que no es lo mismo que “enderezado”; “neoliberalizado”, asumiendo que ya alguna vez se habría “liberalizado”. Pero que por ningún lado se discuta -por no decir- se realice un combate frontal al capitalismo.
Luego anuncian ser la verdadera izquierda que por atacar a la izquierda electorera, falsa izquierda, se presentarán como surda opción a… las próximas elecciones. Y llaman al FMLN, partido que por buenos ratos peca de una sordera programada, partido político electorero, para distanciarse de este cuando entren ellos al juego electoral. Que por ser estos verdaderos referentes de izquierda ya no serán procesos electoreros, sino procesos políticos, en dialéctica confusión.
Hace unos años lo que podría constituirse como un periodo de acumulación de fuerzas, más bien se volvió un periodo de desencanto generalizado y de confusión intrincada. Las tesis de Fukuyama van y vienen en cada elección según los resultados que estas dejen. Muestra de que en general existe una crisis “teórica, programática y orgánica” de este incompleto abanico de las izquierdas salvadoreñas.
“Uno de los grandes objetivos de las negociaciones de paz entre el FMLN y el entonces Gobierno de El Salvador, para poner fin al conflicto gobierno armado, fue el de abrir un proceso de democratización, que dejara atrás las décadas de dictadura, violaciones a los derechos humanos y fraudes electorales” decía Schafik Handal allá por el año 2004. Y que en 2012 aparenta ser superado por el entusiasmo burgués de la democracia de las elecciones sin programas y sin basamento teórico.
Hay que ser más participativos se le exige a la izquierda, en nombre de la “democracia”, para hacer de los espacios de toma de decisiones una especie de ring donde se tiran los cabellos mal peinados de las ideologías. Que en el catálogo de pelos salvadoreños estos varían según las modas, pues vivimos en un país de la América Central, que por su ubicación solo la ve pasar de cuando van del norte al sur y viceversa como a los azacuanes en cambio de temporada. Sino preguntémosle al presidente que tiene atadas sus estacas en ambos hemisferios y el cuello torcido de tanto meneo.
Parece un melodrama esto de las izquierdas. Cada vez que una comete un error, las demás se distancian y le reprochan; pero no si bien hay una pequeña grieta por donde entrar, estas bailan a ritmo de las alianzas tácticas y momentáneas. Se le mueven las coyunturas como a toda una chuca cuta en pleno carnaval. Una izquierda que se topa sin saludar aunque se pelen los dientes.
La crisis también retoca el estado de ánimo de las izquierdas; así que cuidado a las tentativas de crear un nuevo partido en plena crisis, pues en plena crisis nacerán. Y estaremos en cada elección desarmándonos por siniestras razones. Y –ojalá que no- también menos siniestras y más diestras peleando por los derechos reservados de representar a la izquierda en el juego electoral.
Publicado originalmente en: http://antesdatempestade.wordpress.com/2012/04/18/tiempos-siniestros-la-izquierda-salvadorena/
martes, 17 de abril de 2012
jueves, 12 de abril de 2012
Guión de un día de Campo
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| Foto: Mariana Toscana |
Es una mañana de mucha humedad, la leve llovizna de la noche anterior más los primeros rayos del sol que caen sobre la tierra apenas mojada comienzan a elevar la temperatura en este pequeño caserío de vocación agrícola. Josué y Nahúm preparan sus herramientas de labranza. Machete y azadón. Alguna botella con agua para apaciguar el asfixiante calor de estos días no está de más en el pequeño matate. Apenas una taza de café representa el “primer desayuno”. Las tortillas que prepara Teresa -la compañera de Josué- serán para más tarde cuando toque comer “de verdad”. Ambos toman sus cosas y se dirigen a la parcela que han arrendado para trabajar este año en lo que siempre han hecho: labrar la tierra para cultivar sus alimentos.
Aún es pronto para pensar en el invierno, “pero hay que tener todo preparado” reflexionan los hermanos; además ha sido una de las condiciones del dueño del terreno. Estos hermanos como muchos otros campesinos en el país no son propietarios de la tierra y cada año tienen que negociar el arrendamiento con quien sí la tiene. “Este año hemos tenido suerte, logramos conseguir un terreno de media manzana algo cerca de la casa, así no vamos a caminar mucho”.
lunes, 9 de abril de 2012
sábado, 31 de marzo de 2012
viernes, 16 de marzo de 2012
Avances o retrocesos en la Izquierda electoral
Por Erick Barrera
Érase una vez, hace tres años
Después de los resultados electorales para la presidencia en el año 2009, que llevaron al candidato Funes a tomar las riendas del ejecutivo desde ese año, las esperanzas y el entusiasmo de la población salvadoreña se elevaron como nunca antes había ocurrido en la historia reciente. La derecha temió rápidamente que un estado socialista se impondría y que una especie de “casería de brujas” pondría en peligro los intereses de la burguesía; algunos incluso llegaron a decir que el socialismo había llegado y que el triunfo total estaba a la vuelta de la esquina. Parte de la izquierda fortaleció este discurso al decretar la instauración del “socialismo del siglo XXI” y que nada, ni nadie podría retrocederlo. Nada más lejos de la realidad. Estos planteamientos solo eran producto del deseo o del miedo.
En ese mismo año se desarrollaron elecciones para diputados y consejos municipales, al final de los comicios el FMLN obtuvo un total de 35 diputados, seguido por ARENA (32); PCN (11); PDC (5) y CD (1). Así, ninguna fracción obtuvo la mayoría absoluta en la asamblea legislativa. El desgaste de ARENA y su crisis interna eran evidentes, tanto que miembros de ese partido de derecha crearon otro espacio bajo el nombre de GANA, producto, también, de la expulsión del expresidente Antonio Saca.
En cuanto a los concejos municipales, el partido ARENA ganó 122 comunas (27 menos que en los anteriores comicios) y el FMLN en 93 (35 más).
El desgaste de ARENA era más que evidente. La política económica aplicada por sus distintos gobiernos concentró más la riqueza en pocas manos y agravó la problemática social del país. El deterioro del agro, la emigración del campo hacia las ciudades y hacia el exterior, la falta de empleo y la caída de los salarios reales, eran las expresiones más visibles de una crisis que no se resolvería solo en las urnas.
Una nueva dinámica
Ya en los primeros meses luego de la toma de posesión de los nuevos mandatarios, se vislumbraban las dificultades y contradicciones en el seno del nuevo gobierno. El ejecutivo, había tomado las riendas de un país saqueado por las políticas neoliberales y la corrupción heredada en todos los espacios estatales; a nivel internacional un mundo en picada afectado por una nueva crisis estructural del capitalismo, se debatía entre los centros del poder mundial.
A lo interior, entre uno y otro de los sectores que apoyaron el cambio, la disputa por los puestos públicos se volvió prioridad; movimientos u organizaciones sociales que hasta entonces eran muy críticos inscribieron a sus dirigencias a un cargo de funcionario. Buena parte de la izquierda llamó a mantener la calma. En buena parte del pueblo aun se mantenía el brillo de la esperanza. “Los cheros al gobierno” era la consigna. El cambio anunciado se topó con varios obstáculos.
Si bien tomó un tiempo para que el movimiento popular retomara su dinámica y dirigiera sus acciones contra la empresa privada o contra la derecha electoral; la mayoría de las acciones de protesta siguieron dirigidas contra funcionarios o instituciones de gobierno. Un gobierno asistencialista encontró un pueblo que había aprendido a extender la mano y a esperar el rebalse. La relación entonces se volvía complementaria. La mayor beligerancia del pueblo era pedir un poco más de lo que se podía recibir.
En ese mismo contexto se suma la confusión causada por el papel de “nuevos” actores sociales en la palestra: al verse debilitada ARENA como partido de “oposición”, las gremiales empresariales se presentaron como defensores de los intereses de la nación, la ANEP, Cámara de Comercio y FUSADES, principalmente, retomaron el papel de voceros del pueblo bajo el disfraz de “sociedad civil”, destacando con ello alianzas con algunos sectores u organizaciones consideradas de “izquierda” o “progresistas” en las que denunciaban el papel del gobierno, su incapacidad de gobernar al país y querer cambiar las reglas del juego. Estos inculcaron en el imaginario colectivo, la falsa separación entre sociedad política y sociedad civil. Lo que no dijeron –dicen- es que al mismo tiempo de ser “sociedad civil”, son representantes de la gran burguesía -que no es solo salvadoreña- y que además de ser dueños de las grandes corporaciones, siguen militando en el partido que representa sus intereses. Algunos dirigentes, arrastrando a sus organizaciones, desmotivados por la línea del FMLN, procuraron su participación y apoyo a otros partidos, algunos con CD otros con GANA, y uno que otro vio sus posibilidades de “crecer políticamente” incluso con ARENA.
2012 y los cambios… en la forma de votar
Para las elecciones de 2012, en las cuales se eligieron consejos municipales y diputados, se presentaron reformas al código electoral. Una de ellas era la de la llamada “planilla abierta” que no era más que en la elección de diputados, por primera vez, en la papeleta además de la bandera de los partidos aparecieron las fotografías de los candidatos dentro de la planilla de cada uno de los partidos; así como la posibilidad de votar por un candidato “no partidario”. Otro de los cambios en esta votación fue el aumento del voto residencial. Según el TSE, de un total de 4 millones 564, 969 electores, 2 millones 214, 220 lo harían en voto residencial y 2 millones 350, 749 en voto tradicional, lo que implico un aumento de los centros de votación a 1148 a nivel nacional.
La intención de promover las candidaturas personales por sobre los partidos es una clara intención de imponer el triunfo del individualismo por sobre el trabajo organizativo partidario. Se vendió que valían mas las iniciativas individuales que los programas partidarios, por ello la campaña electoral se decanto por la imposición de los rostros de los candidatos que por las propuestas programáticas de los partidos. Esta vez se sabía por quienes votar, pero de igual manera no se sabía para qué.
“Plan Halcón” y otras amenazas
FMLN anunció la víspera de las elecciones un plan de desestabilización por parte de ARENA llamado “Plan Halcón”, en el cual enseñaba: como la derecha estaba gestando un plan de confrontación principalmente en el municipio de San Salvador. Cuando aun no se había comprobado la existencia de este manual, el edil Quijano deslegitimó la denuncia, expresando que era parte de la desesperación del partido de izquierda ante la inminente derrota; no obstante después al demostrarse la existencia del plan, el partido de derecha argumentó que era un mecanismo para la defensa del voto (una especie de instructivo) dirigido a sus militantes dentro del municipio.
Mientras, en el municipio de Pasaquina, en el departamento de La Unión, hubo captura de tres hombres, según un periódico: “la policía encontró 370 hojas volantes con mensajes que amenazan a cumplir el derecho de ejercer el sufragio y 31 calcomanías del candidato a alcalde por el partido ARENA, Odir Ramírez”[1]. Lo que generó temor en la población que, para no ser victimas de las amenazas decidieron no acudir a los centros de votación.
El día D y después
El calendario marcaba 11 de marzo, día de las elecciones, los llamados para ir a votar se hicieron desde temprano, los llamados a no votar llenaban las redes sociales, alguien quería ver solo el fútbol. En el transcurso del día, en dos centros fueron suspendidas las elecciones, una en San Lorenzo, en el occidental departamento de Ahuachapán y uno en San Miguel Tepezontes, en el departamento de la Paz; en otros centros se iniciaba la apertura con hasta seis horas de retraso, hubo suspensiones temporales pero que se reaperturaron en el transcurso de la jornada. La policía informaba detenciones vinculadas a hechos de violencia electoral (destrucción de material electoral, votar en un municipio que no le correspondía, intentar votar dos veces).
Al cerrar las votaciones, las ansias por conocer los resultados crecían. Los medios empezaban a anunciar los primeros resultados, algunos confirmaban los datos de las encuestas, en otros lados surgían sorpresas. Pocos eran indiferentes a lo que sucedía.
Luego de conocer del TSE los resultados, estas elecciones dejan un nuevo escenario en lo legislativo, al quedar la distribución favorable a la derecha: ARENA obtiene 33 diputaciones, el FMLN bajó a 31, GANA se posiciona como tercera fuerza con 11, el CN (el viejo PCN) con 6, CD y PES con uno cada uno y uno producto de la coalición CN-PES. A nivel municipal, lo mas destacable es que ARENA obtuvo la victoria en 9 de las 14 cabeceras departamentales y arrebató las alcaldías en lo que habían sido fuertes bastiones efemelenistas (Soyapango, Mejicanos, Ayutuxtepeque, Apopa) FMLN 3 de las cabeceras, GANA y CN una cada una.
Ausencia del electorado
Ausentismo, desprestigio de los partidos políticos, desánimo por la política, confusión de cómo se votaría (y dónde se votaría), simple pereza. Fueron algunas de las razones por las que buena parte del electorado no acudió a las urnas. Para otros el hecho de confundir el cambio con hacer milagros fue la desmotivación. Defraudados por el cambio, que esperaban de un gobierno con participación de la izquierda, motivó que alguna gente pensara que las elecciones no resuelven nada. Otra motivación también se debe a que no se le da la misma importancia a votaciones municipales y de diputados, con las votaciones para presidente del ejecutivo. Aun vivimos con una visión presidencialista.
Quien ganó quien perdió
En términos puramente cuantitativos, el ganador fue ARENA al contabilizar la mayor cantidad de votos a nivel nacional. Pero además, con estos resultados ARENA, al reposicionarse como partido, recupera su fuerza y ánimo para tomar ventaja en el panorama político. Además, por los resultados en San Salvador, Quijano se proyecta como la figura presidenciable por ARENA. GANA -la escisión de ARENA- podría considerarse satisfecha al posicionarse como la tercera fuerza en la Asamblea Legislativa y ser el amargo objeto del deseo, que necesitan los partidos mayoritarios en la Asamblea, para lograr una correlación favorable dentro de ella.
Todos perdieron algo. Perdió el FMLN su posición como principal partido político con una disminución de diputados en la Asamblea, perdió el ánimo y la sensación de triunfo que había marcado el periodo anterior. Perdió el sistema electoral liberal con sus reformas, al no entusiasmar al electorado a asistir a las urnas, perdieron los no partidarios pues quienes votaron lo hicieron en su gran mayoría por candidatos “partidarios” y perdieron quienes llamaron al “voto nulo” pues la cantidad de votos nulos fue mínima.
El escenario que se vislumbra
En un país con una marcada tendencia al bipartidismo, el debilitamiento de uno de los partidos es el fortalecimiento del otro. Lo que en la actualidad favorece más a ARENA, cuando se asumía en el ultimo periodo un partido debilitado, los actuales resultados lo re-posicionan como el principal partido y le dan un fuerte impulso de cara al futuro.
Tal y como queda configurada la correlación al interior de la Asamblea Legislativa, ARENA siendo la principal fuerza, recuperaría la presidencia de ese órgano del Estado, lo que le da mas posibilidades de tomar la iniciativa; con los curules obtenidos por los demás partidos de derecha, hacen la fuerza suficiente como para obtener mayoría simple, a ver si el pluralismo en la Asamblea no es solo un juego. El FMLN va tener que ver pasar muchas leyes donde no sea necesaria sus votos, aunque si su presencia, pero solo para establecer quórum.
Querer explicar la derrota solo a partir de los errores en la dirección del FMLN sería, además de mal intencionado, bastante simplista. No obstante hay que decir que le corresponde a la dirección del FMLN asumir buena parte de la responsabilidad al distanciarse de buena parte de la población, que aun se identifica con este instrumento, pero con el cual le ha costado mantener el diálogo, sino la apertura a las voces que quieren sentirse representadas dentro de el. Además de revisar los errores es el de su papel en este contexto que sigue siendo de aprendizajes para el conjunto de la población, pero esto se hace en conjunto con aquella y no solo interpretándola o justificándose.
El FMLN tendría que sacar los aprendizajes de esta contienda electoral, comprender que esta podría determinarse como una derrota electoral es un periodo para revisarse a lo interno. Debe entender que hoy por hoy, no se basta a sí mismo. La derrota electoral es solo eso, una derrota dentro de estas elecciones específicas, que sin embargo es una expresión de la falta de combate en los demás frentes.
Al resto de sectores de la izquierda da la oportunidad de demostrar que hay otras opciones y caminos más allá de lo “electorero”, de lo contrario quedarán como buenos análisis de escritorio y de cantina o de redes sociales, pero que si no se demuestran en la práctica en nada ayudarían para acumular fuerzas para un proyecto político popular. La democracia burguesa no puede ser superada en la propaganda, hay una gran distancia para que sea superada en la práctica.
Por último, si el FMLN es el perdedor de esta contienda, habrá que ver quien acumula a su favor los resultados de aquí al siguiente proceso. Otros sin duda seguirán apostando a la inocente surgimiento del espontaneísmo de las masas.
viernes, 2 de marzo de 2012
De Mitos y Alcaldes
El historiador salvadoreño Gregorio López Bernal citando a Andrés de Blas Guerrero define en su libro “Tradiciones inventadas y discursos nacionalistas: El imaginario nacional de la época liberal en El Salvador, 1876-1932” cómo debe ser entendida la nación cultural: “En primer lugar se define en términos organicistas, en este punto la genealogía juega un papel muy importante al proveer a la nación de “un mito de origen” infundiendo entre sus miembros la idea de que la nación constituye una “familia de familias”; la caracterización –agrega– se hace con base en criterios culturales (entre los cuales la lengua juega un papel muy importante). Por último se asume que cada nación tiene un espíritu particular y que la historia conduce a la plena y legítima realización del mismo”.
En la búsqueda del héroe nacional, parece que este se ha encontrado en la imaginación de un escultor, qué al carecer de un verdadero referente se moldeó a sí mismo para darnos la ilusión de salvadoreñidad que se buscaba y que se concretó en la década 20 del siglo pasado. Hablamos de la figura de Valentín Estrada, escultor salvadoreño, que trajo desde Europa la figura de lo que vendría a ser lo mas representativo del “coraje” de nuestro pueblo: hablamos de la estatua del “Indio Atlacatl”.
Recientemente esta figura ha sido rescatada por un alcalde que ha mostrado además de su sesgo ideológico, su amor por las “tradiciones inventadas” y los símbolos de esta “parodia de nación” (citando a Gerardo Barrios).
“El Indio Atlacatl ha vuelto a la avenida Independencia después de más de 40 años que se fue de acá (de la zona) y ahora lo estamos poniendo. Representa la fortaleza de nuestra raza”, dijo el Alcalde, citado por uno de los matutinos de mayor circulación en el país.
Lo raro no es que reviva la imaginación de quienes han querido dar un sentido de nación a este país; sino mas bien que en su particular entusiasmo no la haya modernizado, manteniendo la vieja fisonomía del escultor bienintencionado.
Por ejemplo, que en el discurso de moda por hacernos creer que a pesar de todo somos una sola nación, no le haya dado un carácter mas “actual”, digamos cambiando el rostro por uno mas reconocido por las actuales generaciones. Por ejemplo el de un célebre presidente de inicios de los noventas. Y que en lugar del desfasado tocado de plumas en la coronilla de la estatua, colocara la simbólica figura de una paloma –en clara alusión de la paz firmada-. Aunque no se puede dudar que de ello se encargarán las miles de palomas que pululan por la ciudad, como ya lo han demostrado en otros emblemáticos símbolos de la “identidad nacional”.
Es así como los mismos que decretaron la no existencia de pueblos originarios en El Salvador, imponiendo un discurso de nación en base al “mestizaje puro” del salvadoreño; se están encargando de hablarnos de nuestra herencia, aunque obviamente de una vieja historia que fue y que solo sirve para ocultar las diferencias -mismo que viejas también actuales- económicas , políticas, sociales y -por supuesto- étnicas que existen.
Pero para mostrar las vueltas que da la vida, dejamos el siguiente paraje encontrado en el mismo libro de López Bernal:
“Pocos años después, bajo el régimen de Martínez, se promovió la imagen del mítico Cacique y de nuevo se recurrió a Estrada. “En eso llega una comisión de la Alcaldía de San Salvador –dice Estrada- y me proponen tomar parte de un desfile en una carroza, vestido de indio Atlacatl. La idea era que quería insistir en la promoción, digamos, de la leyenda del gran guerrero… Me agradó la idea, y gustosamente me disfracé de indio Atlacatl. Me aplaudieron mucho, y la gente de la Alcaldía quedó tan contenta que me mandaron a otro desfile que se realizó en Guatemala…”
Solo falta que al ilustre Alcalde se le ocurra disfrazarse de indio Atlacatl, o quizá prefiera ir de Salvador del Mundo.
San Salvador, Febrero de 2012.
(Editorial de El Gallo Maíz Nº 5. Febrero de 2012)
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